quinta-feira, setembro 16, 2010
Hoje sonhei que ia ter contigo, para lá do mar, atravessava o oceano e apanhava um eléctrico e um elevador mágico mas não conseguia chegar até ti. Não conseguia marcar os botões certos no elevador, e embora a paragem de destino do eléctrico tivesse um nome familiar, não conseguia acertar no percurso. Vários passageiros me tentavam explicar, em várias línguas, o que devia fazer para chegar até ti, que outro eléctrico devia apanhar para ser mais rápido, mas a voz deles diluía-se e deixava de conseguir perceber o que me diziam; distraía-me com a paisagem, linda, lembro-me do céu azul, azul, até não mais acabar, o sol luminoso, eu com roupa de verão, o tempo ameno, e o mar, o oceano, pacífico, ao longe, ao perto; grandes extensões rochosas, pontuadas por árvores frondosas e verdes,a contrastar com o cinzento das rochas; o deserto, ao longe, a tornar o horizonte caramelo, o vento quente da manhã a acariciar-me o corpo. Era cedo, queria chegar até ti cedo. Alguma coisa me dizia que não ia voltar, que ia ficar contigo neste país tão distante, tão mais distante do que outros onde estivemos juntos. Ia ficar, queria ficar, mesmo que tu partisses. Mas não conseguia chegar até ti, os malditos eléctricos errados, as pessoas que não me explicavam, e eu, distraída com a paisagem.

Acordei repentinamente, sem despertador, e pensei, enquanto via no relógio que tinha mais vinte minutos: não, não quero acordar já, não sem conseguir chegar até ti e ver esta cidade contigo, acho que nunca viajámos juntos, há uma inércia que toma conta de nós quando estamos os dois, e ficamos deitados a contemplar-nos, a nossa união, os nossos corpos a dançar, no escuro, à meia luz, de manhã. Nunca dançaste comigo, alegavas falta de jeito e vergonha, e eu cansei-me de pedir e distraí-me com a paisagem. Foi isso que nos aconteceu, tu não me comunicaste a morada, o percurso, onde estavas, e eu distraí-me com a paisagem.

Irónico é nunca teres dançado comigo e teres desesperado por quereres saber o que podias fazer para que te quisesse. Tudo o que eu queria eram as tuas mãos na minha cintura e ser embalada nos teus braços, ao som de qualquer coisa romântica, os teus beijos na minha cabeça, a tua respiração no meu cabelo; bastava que me dissesses que te queria a ti, com segurança, e eu acreditava.

Passaram tantos anos até esta manhã, em que viajei até ti, perdida numa cidade que não conheço, e passaram tantas linhas pelas minhas canetas que ainda hoje acredito que te queria a ti, embora não o soubesse, embora não me o tivesses dito. Hoje já o sei, e quero dizer-to, que aposto que não sabes, nunca soubeste, estás distraído com a paisagem, que te quero, quero-te a ti, mesmo quando eu estou distraída com a paisagem, mesmo quando viajo, viajo até ti. Mesmo quando tenho outros braços, são os teus que me embalam. Mesmo quando tu tens outros braços, que se foda o politicamente correcto, quero que saibas, quero saber que sabes, que te quero a ti.

"quero-te dizer mais uma vez
que te amo, (...), te quero,
te espero e desespero por ti,
e que isso só por si
me chega p'ra viver,
mesmo quando só houver...
silêncio...
imenso,
e dor, e pior meu amor,
a lembrança que descansa
os olhos teus nos meus..."

quarta-feira, setembro 15, 2010

Roubado à Rute



"And then I felt sad because I realized that once people are broken in certain ways, they can't ever be fixed, and this is something nobody ever tells you when you are young and it never fails to surprise you as you grow older as you see the people in your life break one by one. You wonder when your turn is going to be, or if it's already happened."

Douglas Coupland, Life after God (Washington Square Press, 1995)

I wonder when my turn is going to be...

sexta-feira, setembro 10, 2010
I miss you so much it tears a hole right in the middle of my chest. Sometimes I can't breath.




(ainda bem que me demiti do cargo de Pessoa Imparcial e com Bom Senso...)

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